Esse semestre eu estou cursando uma cadeira de política comparada cujo tema é nacionalismo e ethnic politics. Para além do fato de que é o meu tema de escolha, que o professor é genial, e que as leituras são muito interessantes (e resgatam muito das minhas referências da História, Sociologia e Antropologia, que andavam meio sub-aproveitadas), é possível que essa seja a cadeira mais auto-reflexiva que eu cursei nos últimos quatro ou cinco anos. (Uma coisa da qual eu estou cada vez mais convencida é que muitas vezes a escolha de temas de pesquisa não é guiada unicamente por critérios racionais e utilitários. Afinal de contas, para alguém escolher um tema determinado, e se dedicar a ele por uma vida, algum interesse mais remoto, que de alguma maneira motive a pessoa, deve existir. Então talvez por isso essa cadeira seja tão interessante para mim, porque ela é a minha primeira oportunidade de estudo sistemático do tema que eu escolhi, do tema que me motiva… e talvez só agora eu esteja descobrindo muitas das minhas razões mais ulteriores para ter escolhido esse assunto.)
Enfim, a aula de hoje foi sobre assimilação, que pode ser entendida de maneira bem ampla como a adoção voluntária de atributos culturais da sociedade dominante por membros de uma minoria. É óbvio que a maior parte do tempo esse conceito é aplicado para explicar situações de conflito e cooperação no contexto de sociedades multiétnicas, mas a verdade é que lendo e ouvindo e discutindo todas essas situações de migrantes passando por processos de adaptação em sociedades que não são as suas de origem, adquirindo novos traços de comportamento e abandonando hábitos antigos… eu não consigo evitar em pensar na minha experiência aqui nos EUA (minha e do Fabi, aliás), e de projetar algumas coisas para o futuro.
Será que a gente está assimilando? Ou vai eventualmente assimilar? Que essa experiência de morar em outro país deixaria marcas na gente, isso eu já sabia (ou esperava) antes de sair do Brasil. Mas o que me bateu hoje foi um pouco da dimensão desse processo todo… Se conviver com uma cultura diferente da sua significa adaptação, e mais que isso, assimilação, o quanto será que se muda por causa de um doutorado no exterior? Para alem de teoria, metodologia, pesquisa, alguma coisa mais fundamental deve mudar também. Mas o quê?
O quão diferente da Tatiana de 2007 a Tatiana de 2011 vai ser?